Haroldo Saboia






Variações de mensagens para um interlocutor ausente



fotografia e bandeira
2015


 
Fotografia
100x80cm
Impressão jato de tinta
2014

Tudo de outrora. Nada mais nunca. Nunca tentado. Nunca falhado. Não importa. Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor.

Samuel Beckett

Ao pensar no trecho do poema de Samuel Beckett, me veio a mente os navegadores da idade média, entre os séculos XV e XVII. Sobretudo o genovês Cristovão Colombo, o homem que descobriu um continente inteiro para os europeus e que acreditava ser as Índias. Morreu com uma falsa ideia, achando que havia chegado num lugar quando, na verdade, havia chegado a outro, à América. Fracassou em seu objetivo inicial. Porém, a história o absolveu.

O que leva Colombo a propor um projeto tão ambicioso? Porque o desejo de buscar algo que não se conhece? Algo que ainda não se pode nomear, algo de assombroso? O que faz esses homens como Colombo a se lançarem ao mar com poucos conhecimentos científicos, por meio de instrumentos precários de navegação e localização à aventura tão longa, arriscada e sem garantia de retorno? Em nome de que assumir esse risco?

A linha que une esses homens como Colombo dentre outros exploradores e navegadores é a linha que os amarra a condição de viajantes. De se colocar a disposição do mundo, ao outro e ao novo. De se posicionar e mover-se.  Todos esses homens se propuseram a realização de uma espécie de travessia. Movidos por relatos e metáforas iniciaram as suas.
E que tipo de travessia ainda nos é possível? O que é suposto procurarmos? Qual o nosso horizonte simbólico a ser desbravado, explorado? Penso que talvez seja difícil formular tal questão ou apontar essa imagem sempre tão distante. Possivelmente, delimitar e cristalizar o nosso horizonte numa única vontade ou desejo seja um exercício inútil. No entanto, na busca do que procuramos, o elemento comum é o movimento. Movimento como condição para se deslocar. Assim se suprimimos a representação histórica de Colombo, o que lhe resta? Um corpo em constante movimento.

Me interessa investigar a travessia enquanto metáfora de um processo, repleto de falhas, fracassos e escolhas. Deste modo, gostaria de propor algo que funcionasse como uma tentativa. Uma proposta de diálogo com um interlocutor ausente, que não virá. Como uma garrafa lançada ao mar, à deriva, com a promessa de que alguém um dia veja a mensagem que há dentro.


Proposta 1:

No mar há várias formas para se comunicar, uma delas é por meio de bandeiras. Assim, pretendo usar bandeira marítima endereçada a meu interlocutor ausente.